quinta-feira, 22 de setembro de 2016

O fim chegou...

Odeio você

No século XXI, a esquerda brasileira ainda cultua a figura do caudilho latino-americano

No Citibank Hall, em São Paulo, Caetano e Gil conduziram a plateia numa versão de “Odeio você” que se completava com “Temer”. Há motivos para a indignação contra um governo recheado das velhas figuras do PMDB, assentado no chamado “Centrão” e salpicado pela gosma de preconceito dos pregadores-negociantes. Contudo, os dois músicos e seu público não apenas rejeitavam o presidente adventício como também se solidarizavam com a dissolvida ordem lulo-dilmista. O evento, um entre tantos que envolvem intelectuais e artistas, evidencia a eficácia da narrativa do “golpe parlamentar”. É mais uma volta no parafuso que prende a esquerda brasileira a lideranças e ideias regressivas. O fracasso não ensinou nada — e apagou as páginas de lições prévias.
Lula e Dilma, depois de tudo — é sério isso? Os heróis da esquerda são os compadres de Marcelo Odebrecht, os chefes dos gerentes-operadores da Petrobras, o óleo na engrenagem de um capitalismo de subsídios e sombrias negociatas. Na ordem lulo-dilmista, circulavam como aliados e associados os mesmos canalhas que rodeiam o atual governo. O que eles “odeiam” não é a presença perene dessa gente, mas a ausência de seus heróis sem nenhum caráter. O Temer que eles odeiam é a implicação necessária dos governos que eles amaram.
No campo político da esquerda, nada se aprendeu sobre uma política econômica amparada nas rendas extraordinárias do ciclo internacional da “globalização chinesa”, que nunca gerou ganhos de produtividade e se concluiu numa depressão tão profunda quanto à do colapso cafeeiro. E nada se aprendeu sobre políticas sociais referenciadas em estímulos conjunturais ao consumo e transferências diretas de renda, que se esgotaram sem reformas de fundo. Enquanto ainda cantam as glórias petistas, eles escondem de si mesmos a permanência de uma educação pública em ruínas e as carências humilhantes dos serviços públicos de saúde. Eles gostam de cotas, não de direitos universais.
O que sobra de uma esquerda cega à desolação das nossas metrópoles cindidas em guetos sociais e, portanto, estruturalmente violentas? Por que eles amam tanto o retrógrado Minha Casa Minha Vida, um programa que ergue habitações populares distantes dos centros das cidades, reiterando um padrão secular de segregação espacial? Copa, Jogos Olímpicos, Porto Maravilha: a roda da fortuna da especulação imobiliária.
Numa mesa-redonda, Guilherme Boulos, o líder do MTST, inverteu a sequência temporal dos eventos para justificar a falência econômica da Venezuela chavista pelo colapso das cotações do petróleo. A caravana do “Odeio você” avança, de olhos vendados, rumo ao passado. Eles não reconhecem que, sob Hugo Chávez, somente se aprofundou a histórica dependência venezuelana das rendas petrolíferas, nem que a “revolução bolivariana” implodiu sob o peso de seus próprios erros, degenerando num regime autoritário, repressivo e impopular. No século XXI, a esquerda brasileira ainda cultua a figura do caudilho latino-americano.
Podemos ter nosso próprio Che? Wagner Moura, cuja inteligência política é inversamente proporcional a seu talento dramático, clama por recursos públicos para um filme sobre Marighella. Ele quer cercar seu personagem com a auréola do romance, ajudando a convertê-lo em marco de memória. A luta armada, o “foco revolucionário”, ofereceu os pretextos ideais para a evolução da máquina repressiva, contribuindo involuntariamente com a sedimentação da ditadura militar. À luz da história, compreende-se o erro trágico dos militantes que se engajaram naquela aventura. Já a romantização da tragédia, tanto tempo depois, e na vigência das liberdades democráticas, deve ser classificada como o ato típico de um idiota.
Na Europa, as correntes principais da esquerda aprenderam com a experiência totalitária soviética o valor fundamental da democracia. Na América Latina, o percurso de aprendizado foi interrompido pela Revolução Cubana, com seu infindável cortejo de mitos. Cuba é o nome da caverna escura que aprisiona a esquerda brasileira. Um quarto de século atrás, o PT chegou a qualificar o regime castrista como uma ditadura indefensável. Hoje, celebra tanto o defunto “modelo socialista” cubano (isto é, o estatismo stalinista) quanto as reformas econômicas deflagradas por Raúl Castro (isto é, um sistema de mercado sem a contrapartida de direitos políticos e sindicais). Nesse pátio de folguedos do anacronismo ideológico, encontra-se com sua dissidência agrupada no PSOL.
“Odeio você, Cunha!”. A performance da esquerda apoia-se num álibi primário. Eles dizem, com razão, que Eduardo Cunha está no DNA do governo Temer. Porém, obliteram o fato de que, sem a engrenagem da corrupção partidária institucionalizada sob o lulo-dilmismo, Cunha seria apenas mais um corrupto de terceira classe. O ódio caetaneado, um produto político seletivo, opera simultaneamente nos registros da memória e do esquecimento. Cunha é Temer — mas é também Lula e Dilma.
Nos idos de junho de 1968, interpretando “É proibido proibir”, Caetano desafiou uma plateia que urrava contra as guitarras elétricas dos Mutantes, pateticamente identificadas ao “imperalismo americano”. Hipnotizados pelo romance da esquerda latino-americana, os jovens odiavam tudo que não fosse Vandré. O Caetano de hoje representa a negação do Caetano original: no Citibank Hall, ele arrependeu-se de si mesmo, curvou-se às vaias do passado, escreveu o epílogo de uma biografia autorizada.
Pablo Milanés desempenhou, ao longo de décadas, o triste papel de trovador oficioso de Fidel Castro. Caetano faz uma melancólica imitação tardia, candidatando-se a trovador de Lula e Dilma. Ninguém deveria odiá-lo por esse motivo. No fim, sua performance reflete os fracassos e as frustrações de uma esquerda enclausurada na gruta de seus mitos. O “velhote inimigo que morreu ontem” está entre nós, bem vivo.
Demétrio Magnoli é sociólogo

quinta-feira, 1 de setembro de 2016

Pode chorar


Carpideira é uma profissional feminina, cuja função consiste em chorar para um defunto alheio. É feito um acordo monetário entre a carpideira e os familiares do defunto, a carpideira chorava e mostrava seus prantos sem nenhum sentimento, grau de parentesco ou amizade.

No momento atual, carpideira é o petista ou esquerdista em geral, cuja função consiste em chorar para a defunta política e dizer que a mesma foi fruto de um "gópi". O acordo é baseado numa sensação de perda do cargo que ocupa; Na ilusão perdida do socialismo que,mais uma vez, deu errado; Na iminência de ter que buscar emprego sem ter qualificação alguma; Na falta de inteligência mesmo.
O choro é livre e dá gosto vê-los chorar (olha a mesóclise aí)!!!

quarta-feira, 31 de agosto de 2016






Tchau maldita

Analisando, objetivamente, o resultado da votação do impeachment, fica constatado alguns fatos.

1) O objetivo principal foi alcançado.

2) A questão dos direitos políticos da cassada, não se encerrou aqui, isto será ainda debatido no STF por causa da lei da ficha limpa.

3) Se a cassada, em 2018, conseguir concorrer a algum cargo eletivo, com certeza será de responsabilidade dos eleitores daquele estado a elegerem ou não.

4) Ainda jorrará muita merda do esgoto da lava-jato até lá, portanto qualquer prognóstico agora, será exercício de futurologia.

5) Não foi golpe.

6) A esperança voltou.

segunda-feira, 18 de abril de 2016

Democracia é assim mesmo

DEMOCRACIA: é o que é, mesmo quando você não quer. De tudo, o que mais me admira é a perplexidade das pessoas com o corrido. Gente que nem dormiu direito, alegando estar sentida pela falta de democracia, pelo golpe. Vocês precisam é estudar e tomar vergonha na cara. O que aconteceu ontem, pode ter sido bom, pode ter sido ruim, pode nem ter sido nada (afinal, ainda tem muito chão pela frente), mas ainda assim, foi uma das maiores representações de DEMOCRACIA que este país já presenciou. Democracia sim, pois todos precisamos aprender que democracia não é só quando meu clubinho ganha, democracia não é só quando concordam comigo. Democracia não é só da minha cor, não é só quando eu quero. Democracia é questão numérica de representatividade. Ponto. Vi gente dizendo que precisávamos nós, o povo todo, estar lá votando. Não. Eleições existem para determinar representatividade. Limpem o choro e aprendam a votar. Queiram ou não, este congresso é o que representa este país, estado a estado, região a região. Dói, né? Ver uma câmara que beira o fundamentalismo religioso, né? Eu sei, dói. Mas isso é democracia. Sim, somos obrigados a dizer: ele representa uma pá de gente. Somos um país onde a maioria das pessoas está se tornando fundamentalista religiosa, ou pelo menos, eles conseguem se organizar politicamente melhor que os demais. Isso é democracia. Democracia não é só quando seu sindicato paralisa a empresa. “Ah, mas a mídia, os jogos políticos, o imbróglio jurídico”. Engole esse choro: isso pode ser ruim sim, pode ser péssimo, inclusive, mas não é desrespeito à democracia. Democracia política consiste justamente nessa jogatina política toda aí, nesse barulho midiático todo. Um golpe, juridicamente possível pode ser tudo, menos um golpe. A complexidade das entranhas dos poderes é o que garante a consistência do estado democrático de Direito. O nosso STF (majoritariamente de POSIÇÃO, diga-se de passagem), acatou o pedido do tal do impeachment. FIM. Agora, impedir as ações do judiciário e querer calar a mídia, por mais tendenciosa que seja, SIM, ela é, isso JAMAIS será democrático. Organizem-se e façam uma mídia melhor e mais convincente que a Carta Capital, formem juristas melhores e mais consistentes: o jogo da política democrática não está acostumado a decisões unilaterais em nome de ideologias, não importa o quão bem intencionadas estejam elas. Democracia é o governo das maiorias, não das minorias. Dói mas é a realidade. Não existe maneira bonita pra dizer isso: esqueçam as minorias, elas serão tratadas como espécime em extinção, artigo de luxo de zoológico para madame ver, e só. A maioria desse país não é de índios ou quilombolas, como foi citado, e sim de uma classe média com conhecimento político medíocre, mas que, quer vocês queiram ou não, é responsável pela maior parte dos votos daqueles que ali votavam. Isso, feliz ou infelizmente, sinto ser eu a ter de dar a notícia, mas é democracia. Lembra do “cada povo tem o governo que merece”? Então. O Brasil nunca se viu tão representado quanto ontem. Nós é que somos o problema. Vi gente dizendo que os deputados foram bairristas, citando suas regiões como origem de seus votos. Desculpa mais uma vez ter que dizer essa triste realidade, mas sim, os deputados representam interesses regionais. Eles estão lá para defender o Brasil, sim! Mas através dos interesses de uma parcela dele, não da união. Eleição — representatividade — democracia; nessa ordem. Ouvi gente falando em “VOTAR” contra o golpe. Caríssimos, deixem de ser ridículos. Contra golpe não se VOTA. Se é voto, não é golpe. Vocês perderam por incompetência numérica. Isso é democracia. A democracia fede, mas é o que tem pra hoje. A democracia tem de engolir gente ruim, gente que não concorda com a gente. A democracia, assim como a bondade, não é privativa da esquerda. Engulam esse choro e encarem de frente a grande merda que SOMOS e não que “eles são”. Eu tive que engolir um deputado homenageando torturador. Isso é democracia. E foi bom: dá pra saber em quem não votar. Não dá pra implorar por um Estado paternalista, sem perceber que depois que o Estado cresce, nada mais segura. Vocês criaram esse monstro, nós criamos esse monstro. Essa democracia que vocês aqui detestam, seria bem menos violenta se o Estado fosse menor. Se vocês entendessem que um Estado que tem poder de dar, também tira. A mão grande do Estado que vem para afagar, é a mesma que pune, o Estado é pai que fornece, mas jamais esqueçam que é o mesmo pai que castiga. Não custa lembrar: Hitler foi eleito democraticamente em um Estado paternalista ao extremo e gigantesco ao absoluto. Vontade das maiorias em um Estado gigante. Tudo o que ocorreu ontem é perfeitamente possível e previsível em todo o nosso trâmite legal em uma democracia escrita e criada com o viés ideológico da Esquerda. Isso também é democracia. O petista pensa assim: O nosso legislativo julga, nosso judiciário executa e nosso executivo legisla. Eu nunca reclamei, até que meu time não foi mais o majoritário. Ah sim, reclamar também é democracia, o choro, embora preocupante, é livre. Disse a mesma coisa quando não aceitaram a derrota do Aécio. O que não é democracia, no entanto, é um poder que se perpetua através da subtração de estatais e maquiagem de dados. Isso não é vontade da maioria, é roubo, engodo e fraude. O que não é democracia é gente que vi dizendo querer “invadir o congresso”, gente que “se fosse Deus explodiria tudo”. Gente que não se conforma em ver que a democracia os deixou de lado, pois é isso que a democracia faz, ela atropela quem ela quiser, quem não for maioria, a fria questão dos números. Da pra entender que os fãs de salvadores da pátria, ideologias únicas, e populismo, tenham pensado até hoje, que havia uma supremacia eterna do executivo e de sua ideologia, mas não. Existem mais dois poderes de igual relevância. Se você acordou só agora pra esse fato (e pra realidade), acostume-se, uma democracia é assim: E não como você quiser. O único jeito de amenizar esse efeito colateral da democracia, é diminuir o Estado. Mas essa parece ser a única coisas que vocês não aceitam. Vão ter que aceitar o pior. Por Augusto Carminati
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