sábado, 22 de julho de 2006
A metástase ideológica lulo-petista
Taí, torcida brasileira. Finalmente concordo com o presidente Luiz Inácio, quando diz que “o avanço de Heloisa Helena é importante para a democracia”. Avanço eleitoral, diga-se de passagem. Já o atraso dele e do PT, atraso de intenções, isso sim, é terrível para uma sociedade livre.Ninguém pode negar que a deficiente democracia tupiniquim, em seus vinte e poucos anos, ganhou com o avanço eleitoral do PT, quando o partido de Lula invadiu os currais do atraso e do assistencialismo comandados por PFL, PMDB e outras siglas de mofo similar.Os “companheiros” em sua fase “pré-mensalão” foram importantes na estimulação do debate nacional. As campanhas eleitorais nunca mais foram as mesmas depois que o PT elegeu alguns militantes. Os velhos partidos ficaram como meninos perdendo o brinquedo.No corpo doente do tecido eleitoral brasileiro, o PT e seus satélites agiram como glóbulos brancos (mesmo sendo vermelhos) combatendo as infectas bactérias da corrupção e suas mazelas periféricas. Foi bonita a festa, pa, diria o poeta, luso da vida.A chegada ao poder virou uma perda da capacidade imunológica, o corpo ético ficou ausente de leucócitos e a infecção generalizou-se. O partido adquiriu os mesmos sintomas dos demais, ficou tão podre quanto. Morreu moralmente na gangrena do mensalão e da propina.Observar hoje esse fenômeno momentâneo da Heloisa Helena é como assistir um slide pela enésima vez. A valente senadora alagoana tem um partido com as virtudes éticas do PT do passado, mas também com os mesmos equívocos históricos. Acredita em coisas do arco da velha Europa, como o socialismo.O PSOL não tem nada de avançado. O que há de avanço, quando concordo com Lula, é o fato da candidata ter o direito de amealhar votos e defender suas teses, mesmo que venham a ser fruto de um cérebro isolado, na geografia de um sítio carioca e na arqueologia de idéias ultrapassadas.A jovem democracia da republiqueta, no entanto, tem mais a perder com o atraso do PT de Lula do que com o avanço eleitoral do PSOL de Helena. O segundo é apenas uma contração social de uma classe média órfã de bons líderes. A vacina tem validade até outubro, ou talvez a sigla morra na cláusula de barreira.Mas o primeiro ainda está infectando o tecido moral e cultural da nação, é de uma patologia grave. Seu vírus sindical vive a atacar a liberdade de expressão, seus tumores autoritários poderão causar câncer nas instituições jurídicas e militares, suas fétidas feridas estão se alastrando no corpo acadêmico do sistema educacional.O voto não é um remédio do tipo tiro e queda. Mas pode funcionar como as antigas panacéias antiblenorrágicas que se tomava após aventuras em puteiros. Votar em Heloisa, Alckmin ou Cristóvam não garante a cura de um país em estado terminal, mas pode, pelo menos, conter o futuro purulento que nos espera.
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