quarta-feira, 26 de julho de 2006
O filamento de mercúrio marca...
Um amigo paulistano, com década e meia de moradia em Natal, vive impressionado com as coisas estranhas que acontecem por aqui. Outro dia ele enumerava fatos que mereceriam destaque num manual de curiosidades. Imagine a única cidade do planeta onde a poderosa rede McDonald´s faliu? (re-abriu recentemente)Pois foi aqui. Ficou pasmo quando a afiliada da TV Globo de Natal foi vendida para uma pequena rede do interior do Sudeste. “Diabos, que eu saiba a Globo dá certo até nos cafundós do Acre”, disse estupefato. Meu amigo escreveu até um artigo para uma revista americana, contando o incrível insucesso das redes de supermercados multinacionais, que não conseguiram, a exemplo de outras praças, dominar uma marca local (Nordestão). Ferrenho torcedor do Corinthians, agora chamado de “ultimão” por causa da rabeira na tabela, meu amigo gasta horas tentando compreender o investimento do ABC Futebol Clube num estádio próprio. “Black, rapaz, é o primeiro caso em que um time constrói um alçapão para si mesmo”, comenta sobre as derrotas constantes do “mais querido” em casa. Meu amigo paulistano adora ler jornais e freqüentar os restaurantes da moda. Ontem ele telefonou para uma irmã que mora em Madrid, contando da nova tendência na terrinha: o frio glacial. Com o calor matando na Europa, a moça quis saber mais sobre a temporada de neve nas cercanias do interior do RN. Meu amigo enviou por e-mail as fotografias da classe média na Serra de Martins, com alguns socialites esquiando fantasiados de pinheirinhos. No festival gastronômico de Martins havia mulheres com cachecol, marmanjos de luvas, patricinhas com gorros e vários roberts de colunas sociais exibindo suas botas e casacos de vaquejada improvisados para um frio que parece antártico. Nas estradas que levam a Caicó, Assu ou Mossoró o que se vê nos últimos dias são automóveis com sistema de calefação.Meu amigo acha que se Cascudo fizesse um estudo psicografado constataria que em Natal não tem classe média. “O que tem aqui é classe mediana”, conclui, calculando o nível cultural da moçada chique. Com visão empresarial aguçada, os espertos já estão pensando em faturar um troco. Prevendo a chegada de uma nevasca nos arredores, ambos já encomendaram esquis numa loja de Bariloche para vender em Natal. Ontem, meu amigo telefonou para a jornalista Erika Palomino, da Folha, contando-lhe que Ronaldo Nazário poderá casar em Natal e quem sabe morar vizinho ao Mick Jagger, no litoral Norte. Se der certo, o Elton John também se pica para cá, com pica e tudo. No começo da semana meu amigo foi tomar café no Mangai. Na entrada, tomou um susto ao esbarrar numa senhora toda embrulhada num sobretudo preto e envolta num felpudo cachecol de bem umas três raposas. A danada da mulher nem pestanejou no riso cínico do meu amigo. Apenas olhou de soslaio, deu de ombros e foi direto para a bandeja de buchada e jerimum com nata, combinação típica para temperaturas escandinavas. Já com o prato na mão, o par de luvas dependurado na genérica Louis Vuitton, comentou com uma vizinha: “Acabei de chegar do Festival de Inverno de Serra de São Bento”.
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