terça-feira, 11 de julho de 2006
Por um controle social da televisão
A editora Senac lançou o livro A nossa TV brasileira – Por um controle social da televisão, do jornalista Inimá Simões. A obra defende a criação de formas organizadas para se exercer um controle social sobre a televisão, com o intuito de diminuir o controle que a própria TV exerce sobre as pessoas. Não se trata de apoio a qualquer tipo de censura, mas sim de debater o que a TV mostra e como ela pode manipular o povo, em vez de apenas captar seus anseios. Inaugurada no Brasil em 1950, a TV representa a mais poderosa mídia existente e de tempos em tempos seu papel social é discutido. Porém, longe do clima alarmista sempre presente quando algo choca a opinião pública, a pesquisa de Simões apresenta muitos dados históricos e pontos de vista bem elaborados.Mesmo que a discussão possa pender para o lado perigoso do patrulhamento e da censura, o livro tem valor incontestável por sua coragem em alguns pontos. Sem restrições, o autor conta para as novas gerações o papel negativo da TV Globo no debate sobre a responsabilidade das redes nos rumos da História do país. Relembra que as emissoras abertas dependem de permissão do governo para existir e que, no início, a Globo (inaugurada em 1965) defendeu o regime militar que governava o Brasil, numa época obscura e sem liberdade de expressão. Sobre a década de 1980, a obra registra o papel da Globo em tentar abafar os movimentos que pediam a volta das eleições diretas no país (algo contrario ao interesse do governo de então) e a manipulação de informações para ajudar a eleger o presidente Fernando Collor, posteriormente afastado por corrupção. O livro relata as armas na luta pela audiência, citando casos antigos de baixaria e exploração de desgraça humana na TV. Domingo legal, Te vi na TV, Casa dos artistas, Big Brother, novelas, João Kleber, Cidade alerta, José Luis Datena, Márcia Goldschmidt, Ratinho e muitos outros apresentadores e programas são citados e analisados em sua busca desesperada pela audiência e pelos lucros. Com muitos exemplos e uma visão crítica, Inimá Simões levanta discussões interessantes sobre a programação imposta pelas TVs e os motivos da preferência do público por determinadas atrações. Atual e provocadora, é uma obra importante e necessária. O livro é o volume 18 da coleção Ponto futuro, que debate temas atuais e polêmicos. (Alexandre Nagado – Omelete)
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