segunda-feira, 11 de junho de 2007

Chávez - o começo do fim?

Isto é para os comunistazinhos de merda que vêem por aqui.

Chávez - o começo do fim?

Luiz Felipe Lampreia

Os recentes destampatórios do coronel Hugo Chávez contra o Brasil e o Senado da República talvez sejam mais do que grosserias de um homem desequilibrado. Possivelmente são manifestações de um desespero incipiente com a antevisão do fracasso como governante e como revolucionário. Vejamos alguns fatos.
O déficit orçamentário venezuelano atingiu 7,97 trilhões de bolívares, ou 3,7 bilhões de dólares, no primeiro trimestre de 2007, segundo anúncio do Banco Central da Venezuela.
Esta escalada de 161% em relação ao déficit do primeiro trimestre de 2006 ocorreu malgrado um aumento da receita fiscal do petróleo.
O descalabro tem uma causa inescapável: a política de gastos governamentais desenfreados no país e no exterior.
Resultado: a inflação venezuelana já chegou a uma taxa anualizada de 19,5% em maio e vai subir rapidamente.
A PDVSA - estatal do petróleo -, que é fonte de toda a riqueza do Estado, acha-se cada vez mais sobrecarregada e menos capaz dos pesados investimentos necessários para manter e expandir a produção não só de petróleo, como também de gás natural.
O coronel já eliminou quase todos os alicerces de uma democracia e está fortemente empenhado em liquidar os últimos vestígios que restam na Venezuela. Está agora apoplético com o apoio que a emissora RCTV recebeu dentro e fora do país, após ser vítima de um fechamento digno da Alemanha dos anos 30. Em comício de massa dia 2 de junho, Chávez atacou violentamente os apoiantes da RCTV e os mandou “ao diabo”. Ora, estes apoiantes são pessoas e organizações respeitáveis, como os estudantes universitários de Caracas e os cidadãos que davam um ibope de 40% à RCTV, para não falar dos não-venezuelanos. Pois bem, o coronel avisou que melhor fariam se não fossem aos freqüentes comícios da oposição, pois “poderiam machucar-se”. Para comprová-lo seus asseclas atacam fisicamente os manifestantes. Vale recordar que Adolf Hitler também foi eleito originalmente pelo povo e usou as instituições para instalar uma das mais negras ditaduras da História moderna.
Até quando, nessas condições, será legítimo ignorar que existe no Mercosul e no Grupo do Rio uma cláusula democrática e aceitar que o coronel de camisa vermelha pretenda ditar as regras da convivência entre as nações da América do Sul? É aceitável, por exemplo, admitir a Venezuela no Mercosul depois que o próprio Chávez afirmou claramente que seu objetivo é destruir o Mercosul como ele existe? Em qualquer clube do mundo, uma afirmação do gênero levaria a uma chuva de bolas pretas contra o candidato a sócio.
Não é necessário ser um grande economista para perceber que o governo de Chávez está transformando a Venezuela num enorme Titanic rumo ao iceberg, mesmo sem a queda dos preços do petróleo, que um dia ocorrerá, inevitavelmente. As perspectivas políticas e econômicas para 2007 já são instáveis, quanto mais as dos próximos anos. Tensões se multiplicam à medida que a oposição se enrijece e o coronel recrudesce. Na própria aliança que governa a Venezuela surgem divisões patentes, com uma vertente “light” que julga excessiva a radicalização em marcha. As pressões inflacionárias se intensificam e, como aprendemos duramente no Brasil antes do Plano Real, quem paga mais caro por este descontrole é o povo. Ora, é este segmento da população que Chávez alega defender e que até agora o sustenta politicamente.
O mais grave para o futuro da Venezuela é a profunda divisão que o coronel introduziu na nação. Mesmo que seu consulado termine em breve, Chávez terá marcado seu país com uma carga de ódio político e de divisão social que demorará muito a cicatrizar. Este país amigo, cujo povo tanto se parece com o brasileiro em muitos aspectos, está hoje emparedado num imenso fosso. Tardará muito até que possa sair desta armadilha.
Com uma obsessão digna de Macbeth, Chávez vê em toda parte uma conspiração para derrubá-lo. Os que o acompanham nos últimos anos dizem que sua paranóia se acentuou muito desde a tentativa de golpe contra ele em 2002. Com isso o coronel se isola cada vez mais internacionalmente e rompe as pontes com aliados potenciais na região e no Ocidente em geral. Hoje a Venezuela se encontra em posição diplomática muito fraca, como o comprova seu fracasso na tentativa de se eleger para uma cadeira transitória no Conselho de Segurança da ONU, por exemplo.
Para nós, brasileiros, a melhor notícia nesta marcha da loucura é a tomada de consciência do presidente Lula (embora não de seu partido) de que Chávez não é bom companheiro. Não houve uma postura contundente - e talvez seja melhor assim, pois o Brasil jamais deve ser truculento com seus vizinhos -, mas estamos, felizmente, a anos-luz do tempo em que o coronel era o parceiro predileto para fantasias sul-americanas: gasodutos gigantescos, FMIs caboclos, superempresas binacionais de petróleo e quejandos. Chávez já é um rival e pode transformar-se num inimigo do presidente brasileiro e mesmo do Brasil. As intervenções venezuelanas no processo de nacionalização do gás boliviano são uma realidade indiscutível que precisa ser tomada em conta.
Agora a Venezuela está engajada numa escalada armamentista que não pode deixar de ser vista com preocupação pelos nossos militares. E o Brasil - governo e sociedade - já não acha graça nas excentricidades do coronel, nem se dispõe a segui-lo em seus devaneios. Creio que nosso presidente finalmente se deu conta de que a companhia de Chávez só nos traz prejuízos líquidos. Sem, de modo algum, advogar qualquer tipo de intervencionismo, que contrariaria nossas tradições mais consagradas, faríamos realmente bem em manter uma distância crescente do coronel.
Luiz Felipe Lampreia foi ministro das Relações Exteriores de 1995 a 2001
O novo projeto de ChávezEditorial de OESP10 Junho 2007
Uma leitura, mesmo superficial, dos documentos e declarações produzidos na reunião de representantes da Alternativa Bolivariana para as Américas (Alba), realizada em Caracas, revela claramente os propósitos do coronel Hugo Chávez para a região. Ele não se contenta em dominar a Venezuela com mão-de-ferro, controlando o Executivo, o Legislativo e o Judiciário e, agora, em franca ofensiva contra o pouco que restou de uma imprensa outrora livre. Chávez quer superar os feitos de seu ídolo, Simón Bolívar. No século 19, Bolívar - com a ajuda de San Martín e outros notáveis generais - libertou os países andinos do jugo colonial espanhol, mas não conseguiu completar o seu projeto político, que era manter aquelas províncias unidas. O objetivo do caudilho do século 21 é voltar 190 anos no tempo, recompondo a unidade do vice-reinado de Nova Granada e consolidando o projeto bolivariano da Grande Colômbia.
A Alba, constituída pela Venezuela, Cuba, Nicarágua e Bolívia, é o núcleo do projeto. O Equador do presidente Rafael Correa é um sério candidato a engrossar o grupo. Ficariam faltando, para completar o pastiche geopolítico, o Peru e o Panamá - mas os governos desses países nem querem ouvir falar em alianças com Chávez.
De qualquer forma, o caudilho trabalha arduamente para realizar seu projeto. Na reunião de Caracas, por exemplo, os membros da Alba decidiram criar, no prazo recorde de 60 dias, o Banco da Alba, para financiar os projetos de desenvolvimento e integração que já foram acertados - e cujo número continua crescendo vertiginosamente. Apenas com Cuba, a Venezuela assinou acordos para desenvolver 353 projetos. Com os outros países do bloco, os projetos também se contam pelas centenas.
E, como para o coronel Chávez as palavras são tudo - recorde-se que fez questão de mudar a sigla da Comunidade Sul-Americana de Nações de Casa para Unisur -, esses projetos não são chamados de binacionais ou de multilaterais. Eles são “granacionales”. Pois é isso o que ele pretende: fazer daqueles países uma grande nação, ou, como definem os documentos oficiais, “a união integral de nossas Repúblicas em uma só nação, como sonharam nossos próceres”.
Como já não há o Império Espanhol a combater, o Bolívar redivivo elegeu como inimigo os Estados Unidos. Recebe dos EUA a maior parte da receita do petróleo que sustenta as extravagâncias de seu projeto autoritário e compra daquele país quase tudo o que falta na Venezuela - o que não é pouco -, mas considera Washington um agente do mal e o presidente Bush o próprio diabo.
De tempos em tempos, denuncia um complô do governo americano para assassiná-lo ou para invadir o país. Agora, para coroar a reunião da Alba, propôs a seus sócios a assinatura de um pacto de defesa, para protegê-los “do terrorismo e agressão permanentes dos Estados Unidos”.
No ano passado, Chávez convenceu o presidente Evo Morales a assinar um acordo de “cooperação” na área de defesa que praticamente deixa a Bolívia em suas mãos. A pretexto de “complementar as capacidades de defesa de cada país”, a Venezuela terá ingerência na organização e na capacitação das Forças Armadas bolivianas. Além disso, construirá quatro bases militares em território boliviano, que guarnecerá com “assessores”, e os militares venezuelanos poderão interferir diretamente caso haja qualquer conflito que ponha em risco as instituições bolivarianas criadas por Evo Morales no molde chavista.
Agora, disse o caudilho a seus seguidores, “parece que chegou o momento de acertarmos uma estratégia de defesa conjunta, para que ninguém possa cometer nenhum erro contra nossos povos”.
Hugo Chávez está armando a Venezuela até os dentes. Como o país não enfrenta nenhuma ameaça externa, os aviões, helicópteros, tanques e fuzis que está comprando de certo são uma forma de consolidar o apoio das Forças Armadas a seu regime - que não é monolítico, ao contrário do que ele diz - e de garantir, numa eventualidade, a “lealdade” do povo. De qualquer forma, o programa militar de Hugo Chávez, conseqüente com seus projetos políticos de criação de uma “Confederação de Estados” - obviamente sob seu comando -, altera o equilíbrio regional. O governo brasileiro deve estar atento a isso.
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