Mostrando postagens com marcador Lula corrupto. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Lula corrupto. Mostrar todas as postagens
quinta-feira, 12 de abril de 2018
sábado, 26 de março de 2016
Acabou lulare
Blog do Noblat
O ocaso de um mito chamado Lula
Tal depuração baseia-se em alentados registros – e o mais eloquente vem da própria voz de Lula, captada nos recentes grampos telefônicos, autorizados pela Justiça, em que exibe solene desprezo pelas instituições, em especial o Judiciário.
Não se deve apenas aos truques do marketing político-eleitoral a construção da imagem do falso herói. Bem antes do advento dos Duda Mendonça e João Santana, hoje às voltas com a Justiça, Lula já desfrutava de altíssimo conceito redentor, esculpido no âmbito universitário, onde o projeto do PT foi engendrado.
E aqui cabe repetir o bordão lulista: nunca antes neste país, um presidente da República foi brindado com tantos títulos honoris causa por parte de universidades, mesmo sem ter dado – ou talvez por isso mesmo - qualquer contribuição à atividade intelectual.
Ao contrário: Lula e seus artífices difundiram o culto à ignorância e ao improviso, submetendo a atividade intelectual à condição subalterna de mera assessora de um projeto populista.
A epopeia de alguém que veio de baixo e galgou o mais alto cargo da República fascinou e comoveu a intelligentsia brasileira, que o transfigurou em gênio da raça. Pouco interessava o como e o quê fez no poder – questões que agora se colocam de maneira implacável -, mas o simples fato de que a ele chegou.
O símbolo falsificava o ser humano por trás dele. E o país embarcou numa ilusão de que agora, dolorosamente – e ainda com espantosas resistências, – começa a desembarcar.
Fernando Henrique Cardoso, símbolo da nata acadêmica nacional, deixou suas digitais nesse processo. A eleição de Lula, em 2002, contou com sua colaboração. Como se recorda, FHC desengajou-se da campanha presidencial de José Serra, dizendo a quem quisesse ouvi-lo: “Agora, é a vez de Lula”.
Conta-se que, naquela ocasião, ao recebê-lo em Palácio, chegou a oferecer-lhe antecipadamente a cadeira presidencial. Era o sociólogo sucedido pelo operário, ofício que Lula já não exercia há mais de duas décadas. As cenas da transmissão da faixa presidencial, encontráveis no Youtube, mostram um Fernando Henrique ainda mais deslumbrado que seu sucessor.
Lula, na ocasião, disse-lhe: “Fernando, aqui você terá sempre um amigo”. No dia seguinte, cessou o entusiasmo: o ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu, em sua primeira entrevista, mencionava a “herança maldita” do governo anterior, frase repetida como mantra até os dias de hoje.
E o “amigo” não mais pouparia seu antecessor, por quem cultiva freudiana hostilidade. A erudição, ao que parece, o incomoda, embora a vida lhe tenha proporcionado meios bem mais abundantes de obtê-la que a outros grandes personagens da cultura brasileira, de origem tão modesta quanto a sua, como Machado de Assis, Gonçalves Dias e Cruz e Souza, mestiços que, em plena escravidão, ascenderam ao topo da vida intelectual do país.
O mito Lula começou ainda na década dos 70, em pleno governo militar – e contou com a cumplicidade do próprio regime, que, por ironia, o viu como peça útil na desconstrução da esquerda, abrigada no velho MDB e em vias de defenestrar eleitoralmente o partido governista, a Arena. O regime extinguiu casuisticamente o bipartidarismo, de modo a esvaziar a frente oposicionista.
A frente, em que a esquerda tinha protagonismo, entendia que não era oportuno o surgimento de um partido de base sindical, que a esvaziaria, diluindo os votos contrários ao regime. Lula foi peça-chave nesse processo, concebido pelo general Golbery do Couto e Silva, estrategista político do governo militar.
Há detalhes reveladores em pelo menos dois livros recentes: “O que sei de Lula”, de José Nêumanne Pinto, que cobriu as greves do ABC pelo Jornal do Brasil naquele período, e com ele conviveu; e “Assassinato de Reputações”, de Romeu Tuma Jr., cujo pai, o falecido delegado Romeu Tuma, então chefe do Dops, foi carcereiro de Lula, no curto período em que esteve preso.
Tuma e Nêumanne convergem num ponto: Lula foi informante do Dops, o que lhe facilitou a construção do PT, a cujo projeto se agregariam duas vertentes fundamentais - a esquerda universitária paulista e o clero católico da Teologia da Libertação.
Essa gênese explica a trajetória vitoriosa do partido: o clero proporcionou-lhe a capilaridade das comunidades eclesiais de base e os acadêmicos prestígio e acesso à grande mídia.
A ambos, o PT retribuiu com Lula, o símbolo proletário de que careciam para forjar o primeiro líder de massas que a esquerda brasileira produziu e que a levaria, enfim, a vencer eleições presidenciais. Deu certo – e deu errado.
Lula chegou lá, mas corre o risco de concluir sua trajetória na cadeia. Os acertos de seu primeiro governo derivam da rara conjunção de uma bonança econômica internacional com os ajustes decorrentes do Plano Real. Finda a bonança e desfeitos os ajustes, restou a evidência de que não havia (nunca houve) um projeto de governo – e tão somente um projeto de poder.
A Lava Jato, ao tempo em que reduz Lula a seu exato tamanho, político e moral – e, ao que se sabe, há ainda muito a vir à tona -, mostra o que fez, à frente do PT e do país, para que esse projeto se consolidasse e o eternizasse como pai dos pobres – uma caricatura de Vargas, com mais dinheiro e menos ideias.
De gênio político, beneficiário de uma conjuntura que desperdiçou, lega à posteridade sua grande obra: Dilma Roussef, personagem patética que tirou do anonimato para compor um dos momentos mais trágicos da história da República.
O historiador do futuro terá o desafio de decifrar o que levou a inteligência do país – cujo dever de ofício é antever e evitar tais desvios - a embarcar num projeto suicida, a serviço da estupidez, não hesitando em satanizar os que a ele se opõem.
segunda-feira, 20 de julho de 2015
Já está nos calcanhares
O chefe do PT, Luiz Inácio Lula da Silva, pediu pessoalmente ao primeiro-ministro português, Passos Coelho, para dar atenção aos interesses da construtora Odebrecht na privatização da empresa EGF, sub-holding da paraestatal Águas de Portugal, segundo relatam novos documentos da operação Lava Jato.
De acordo com telegramas diplomáticos trocados entre chefes de postos brasileiros no exterior e o Ministério das Relações Exteriores, entre 2011 e 2014, “as atividades do ex-presidente Lula em favor do grupo Odebrecht no exterior foram além da contratação para proferir palestras, contrariando o que o petista e a construtora têm sustentado”.
A movimentação de Lula em Portugal é relatada em dois telegramas: em 25 de outubro de 2013, o embaixador brasileiro em Lisboa, Mario Vilalva, enviou um comunicado sobre sua visita ao país, no qual o diplomata deixa claro que a visita do ex-presidente resultava do convite da Odebrecht, por ocasião dos 25 anos de presença da construtora brasileira em Portugal.
Menos de sete meses depois, noutro telegrama, numa análise sobre a privatização da Empresa Geral de Fomento (EGF), Vilalva notava que as empresas brasileiras Odebrecht e Solvi, em parceria com o grupo português Visabeira, demonstraram interesse no negócio, o que gerou simpatia dos formadores de opinião em Portugal, fazendo referência “a ação direta de Lula em favor da Odebrecht”.
“O ex-presidente também reforçou o interesse da Odebrecht pela EGF ao primeiro-ministro Pedro Passos Coelho, que reagiu positivamente ao pleito do colega brasileiro”, informou o diplomata, citado pelo jornal O Globo, edição de domingo, que revela que o contato a favor da construtora foi feito em conversa privada.
Segundo site do Instituto Lula, o ex-presidente encontrou-se com Passos Coelho no dia 24 de abril, e teriam falado apenas da situação económica mundial e da Copa do Mundo no Brasil.
Na época, Lula deu uma entrevista à televisão portuguesa, a propósito dos 40 anos da Revolução dos Cravos e abordando vários temas, defendendo uma maior participação de empresas brasileiras nas privatizações conduzidas em Portugal, sem no entanto citar nenhuma empresa.
Na ocasião do telegrama, a construtora brasileira era uma das sete que tinham manifestado oficialmente interesse na privatização da EGF, mas dois meses depois a Odebrecht acabou por não formalizar uma proposta.
Lula agora é investigado oficialmente pelo MP por favorecer a construtora Odebrecht a obter contratos durante viagens para África e América Latina, entre 2011 e 2014, quando já não era presidente da República.
O Globo afirmou que, no âmbito das buscas que a PF efetuou à casa do empreiteiro Marcelo Odebrecht, em 19 de junho, “durante a 14.ª etapa da Lava Jato”, foram apreendidos “documentos, correspondências e mídias”, sendo que um HD que estava num cofre no quarto do empreiteiro armazenava troca de mensagens sobre o jantar.
Em resposta ao jornal O Globo, o Instituto Lula afirmou que “o ex-presidente não atuou em favor da Odebrecht, nem fez gestão a favor da empresa“, referindo que Lula da Silva se limitou a comentar “o interesse da empresa brasileira pela empresa portuguesa (…) que, aliás, era público há muito tempo“. Ou seja, o instituto prefere destacar a fala de Lula na TV portuguesa e não a conversa em privado com Passos Coelho.
sábado, 25 de maio de 2013
Foi só boato
“O boato é criminoso!”. Bradou Dilma Rousseff diante dos holofotes da
mídia, escondendo no semblante da retórica a satisfação no papel de
vítima e de heroína do teatro que alcançou índices de audiência e de
pânico no Nordeste e outras regiões.
O domingo, 19, foi um prato cheio para se oferecer aos beneficiários e “clientes” do programa Bolsa Família a mentira bem orquestrada do fim dos pagamentos. Havia uma convenção nacional do PSDB gerando fatos e gestos na mídia durante todo o dia.
Curioso é que foi um boato à moda antiga, espalhado e ampliado no processo do boca a boca, sem qualquer participação especial, ou mesmo coadjuvância, das badaladas redes sociais. Quase nada se viu no Facebook, Google + ou Twitter, nenhum sinal de alarme.
O que levaria um boato se propagar tão rapidamente e de forma tão consistente nas cidades nordestinas e nortistas, além de algumas periféricas de Minas Gerais e Rio de Janeiro? Seriam as fiscais do FHC, numa versão improvisada do que fez José Sarney?
Ora, vão catar coquinho os que defendem a tese da brincadeira de mau gosto ter seu útero na convenção tucana. É preciso uma rede de militantes para isso, e isso o PSDB não tem. O modus operandi é típico do que sai da placenta de gerar mentiras do PT.
O Partido dos Trabalhadores transformou sua história de três décadas num boato sem fim. E nem estou me referindo ao fim da mesma Bolsa Família nas campanhas de 2010 e de 2012, quando José Serra mantinha vantagem sobre os petistas nas pesquisas.
O PT nasceu para ser a agremiação da democracia que o Brasil urgia no final dos anos 1970. Mas foi apenas um boato, pois logo mostrou seu alinhamento com a velha e surrada tese da ditadura do proletariado, instalada com a Revolução Russa de 1917.
O PT surgiu para ser o escoadouro das reivindicações de todas as classes sociais, mas tudo não passou de um boato. Rapidamente ficou claro que só os operários do ABC Paulista eram considerados cidadãos para os intelectuais marxistas dirigentes da sigla.
Na luta das Diretas Já, o partido engrossou o coro por liberdade partidária e pelo voto livre para presidente da República. Foi só um boato, confirmado assim que as forças democráticas lançaram Tancredo Neves contra Maluf. O PT subiu no muro e lá ficou.
Durante a Constituinte, que elaborou a atual Constituição, livre das amarras do regime militar, os parlamentares do PT foram eleitos em nome dela. Mas, infelizmente, era um discurso que logo virou boato. O próprio Lula abandonou o mandato no Congresso.
Ao longo desses anos todos, o PT jurou sua condição de partido ético; era boato. Pregou pluraridade interna, mas era boato, tendo que expulsar valorosos militantes que divergiram pontualmente do partido. Era boato que o PT não se metia em corrupção.
O PT encampou nas ruas a luta para defenestrar Fernando Collor do Planalto. A aversão ao alagoano foi só boato, pois hoje Lula e Collor apagaram as agressões mútuas e são sustentáculos da base aliada de Dilma Rousseff, cujo diploma de economia é só boato.
Na passagem do regime militar para o primeiro governo civil, de José Sarney, as lideranças do PT incutiram no juízo dos militantes um ódio político e ideológico ao ex-ministro da ditadura, Delfim Netto. Mas, era boato. O gordo é conselheiro do Planalto.
Estrategista maior da recuperação eleitoral de Lula após as duas derrotas para FHC, o senhor José Dirceu trafegou pela história e pela ação política como um gigantesco boato. Tudo na vida do chefe dos mensaleiros é uma mentira rodeada de muitos boatos.
Dirceu foi tratado como ex-guerrilheiro, mas era boato, já que nunca pegou uma baladeira para atingir um soldado. Disseram ser um grande estudantil, outro boato, muito bem confirmado na lambança que orquestrou no encontro da UNE em Ibiúna.
O governo de Lula distribuiu propina entre parlamentares, mas todos no partido juram ser boato. Lula acumulou boa grana no exterior carregada pela amiguinha Rose Noronha, mas o PT jura que é boato. Dona Marisa anda com ciúmes, ou será boato?
Ah, foi Lula quem jurou ter pago a dívida externa brasileira, lembram? Acabou de subir 60%. E o Pré-Sal que iria ser redenção do país, só boato. E a transposição do São Francisco? Só boato. Crise global, inflação, desemprego, juros altos. Tudo boato.
E criminoso, como diz Dilma.
O domingo, 19, foi um prato cheio para se oferecer aos beneficiários e “clientes” do programa Bolsa Família a mentira bem orquestrada do fim dos pagamentos. Havia uma convenção nacional do PSDB gerando fatos e gestos na mídia durante todo o dia.
Curioso é que foi um boato à moda antiga, espalhado e ampliado no processo do boca a boca, sem qualquer participação especial, ou mesmo coadjuvância, das badaladas redes sociais. Quase nada se viu no Facebook, Google + ou Twitter, nenhum sinal de alarme.
O que levaria um boato se propagar tão rapidamente e de forma tão consistente nas cidades nordestinas e nortistas, além de algumas periféricas de Minas Gerais e Rio de Janeiro? Seriam as fiscais do FHC, numa versão improvisada do que fez José Sarney?
Ora, vão catar coquinho os que defendem a tese da brincadeira de mau gosto ter seu útero na convenção tucana. É preciso uma rede de militantes para isso, e isso o PSDB não tem. O modus operandi é típico do que sai da placenta de gerar mentiras do PT.
O Partido dos Trabalhadores transformou sua história de três décadas num boato sem fim. E nem estou me referindo ao fim da mesma Bolsa Família nas campanhas de 2010 e de 2012, quando José Serra mantinha vantagem sobre os petistas nas pesquisas.
O PT nasceu para ser a agremiação da democracia que o Brasil urgia no final dos anos 1970. Mas foi apenas um boato, pois logo mostrou seu alinhamento com a velha e surrada tese da ditadura do proletariado, instalada com a Revolução Russa de 1917.
O PT surgiu para ser o escoadouro das reivindicações de todas as classes sociais, mas tudo não passou de um boato. Rapidamente ficou claro que só os operários do ABC Paulista eram considerados cidadãos para os intelectuais marxistas dirigentes da sigla.
Na luta das Diretas Já, o partido engrossou o coro por liberdade partidária e pelo voto livre para presidente da República. Foi só um boato, confirmado assim que as forças democráticas lançaram Tancredo Neves contra Maluf. O PT subiu no muro e lá ficou.
Durante a Constituinte, que elaborou a atual Constituição, livre das amarras do regime militar, os parlamentares do PT foram eleitos em nome dela. Mas, infelizmente, era um discurso que logo virou boato. O próprio Lula abandonou o mandato no Congresso.
Ao longo desses anos todos, o PT jurou sua condição de partido ético; era boato. Pregou pluraridade interna, mas era boato, tendo que expulsar valorosos militantes que divergiram pontualmente do partido. Era boato que o PT não se metia em corrupção.
O PT encampou nas ruas a luta para defenestrar Fernando Collor do Planalto. A aversão ao alagoano foi só boato, pois hoje Lula e Collor apagaram as agressões mútuas e são sustentáculos da base aliada de Dilma Rousseff, cujo diploma de economia é só boato.
Na passagem do regime militar para o primeiro governo civil, de José Sarney, as lideranças do PT incutiram no juízo dos militantes um ódio político e ideológico ao ex-ministro da ditadura, Delfim Netto. Mas, era boato. O gordo é conselheiro do Planalto.
Estrategista maior da recuperação eleitoral de Lula após as duas derrotas para FHC, o senhor José Dirceu trafegou pela história e pela ação política como um gigantesco boato. Tudo na vida do chefe dos mensaleiros é uma mentira rodeada de muitos boatos.
Dirceu foi tratado como ex-guerrilheiro, mas era boato, já que nunca pegou uma baladeira para atingir um soldado. Disseram ser um grande estudantil, outro boato, muito bem confirmado na lambança que orquestrou no encontro da UNE em Ibiúna.
O governo de Lula distribuiu propina entre parlamentares, mas todos no partido juram ser boato. Lula acumulou boa grana no exterior carregada pela amiguinha Rose Noronha, mas o PT jura que é boato. Dona Marisa anda com ciúmes, ou será boato?
Ah, foi Lula quem jurou ter pago a dívida externa brasileira, lembram? Acabou de subir 60%. E o Pré-Sal que iria ser redenção do país, só boato. E a transposição do São Francisco? Só boato. Crise global, inflação, desemprego, juros altos. Tudo boato.
E criminoso, como diz Dilma.
quarta-feira, 30 de maio de 2012
Transcrevo o artigo de Dora Kramer, “Criação Coletiva”, publicado ontem no jornal O Estado de S. Paulo. Texto exemplar, análise perfeita, correta, exata do episódio que envolve o ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva e o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, a mais alta corte do país. Se eu fosse bispo determinaria sua leitura no púlpito de todas as igrejas católicas. Se fosse pastor presbiteriano ou batista, ou mesmo Lutero assinaria embaixo. Leia:
- Não, o ex-presidente Lula não perdeu o juízo como sugere em princípio o relato da pressão explícita sobre ministros do Supremo Tribunal para influir no julgamento do mensalão, em particular na conversa com o ministro Gilmar Mendes eivada de impropriedades por parte de todas as partes.
- Lula não está fora de si. Está, isto sim, cada vez mais senhor de si. Investido no figurino do personagem autorizado a desrespeitar tudo e todos no cumprimento de suas vontades.
- E por que o faz? Porque sente que pode. E pode mesmo porque deixam que faça. A exacerbação desse rude atrevimento é fruto de criação coletiva e não surgiu da noite para o dia.
- A obra vem sendo construída gradativamente no terreno da permissividade geral onde se assentam fatores diversos e interesses múltiplos, cuja conjugação conferiu a Lula o diploma inimputável no qual ele se encontra em pleno usufruto.
- Nesse último e bastante assombroso caso, produto direto da condescendência institucional – para dizer de modo leve – de dois ex-presidentes da Corte guardiã da Constituição: o advogado Nelson Jobim, que convidou, e o ministro Gilmar Mendes, que aceitou ir ao encontro do ex-presidente.
- Nenhum dos dois dispõe da prerrogativa da inocência. Podiam até não imaginar que Lula chegaria ao ponto da desfaçatez de explicitar a intenção de influir no processo, aconselhando o tribunal a adiar o julgamento e ainda insinuar oferta de “proteção” ao ministro.
- Inverossímil é que não desconfiassem da motivação do ex-presidente que anunciou disposição de se dedicar diuturnamente ao desmonte da “farsa do mensalão” e provou isso ao alimentar a criação de uma comissão de inquérito no intuito de embaralhar as cartas e embananar o jogo.
-Mas, apenas para raciocinar aceitemos o pressuposto da ingenuidade, compremos a versão do encontro entre amigos e consideremos natural tanto o convite quanto a anuência.
-À primeira questão posta – “é inconveniente julgar esse processo agora” -, à primeira pergunta feita pelo ex-presidente – “não tem como adiar o julgamento?” -, se o ministro Gilmar Mendes tivesse agradecido ao convite e polidamente se retirado, não teria ouvido o que viria a seguir, segundo o relato que fez depois ao presidente do STF, ao procurador-geral da República e ao advogado-geral da União.
- Narrativa esta que se pressupõe verdadeira. Se aceitarmos a versão do desmentido apresentado por Nelson Jobim teremos de aceitar a existência de um caluniador com assento no Supremo Tribunal Federal e de esperar contra ele algum tipo de interpelação.
- Tivesse dado por encerrado o encontro logo no início, o ministro Gilmar Mendes não teria ficado “perplexo com o comportamento e as insinuações despropositadas do presidente Lula”.
- Não teria ouvido alusões ao seu possível envolvimento com o esquema Cachoeira – razão da oferta de proteção na CPMI -, não teria escutado o ex-presidente chamar o ministro Joaquim Barbosa de “complexado”.
- Não teria testemunhado Lula desqualificar ao mesmo tempo o ex-ministro Sepúlveda Pertence e a ministra Cármem Lúcia ao sugerir a existência de uma cadeia de comando com a frase “vou falar para o Pertence cuidar dela”.
- É verdade que se tivesse ido embora o ministro Gilmar Mendes teria poupado a si um enorme constrangimento.
- Mas não daria ao País a oportunidade de saber que o ex-presidente tem acesso a informações de um inquérito na data da conversa (26 de abril) ainda protegido por sigilo de Justiça.
- Não saberíamos que Lula diz orientar a conduta do ministro Dias Toffoli – “eu falei que ele tem que participar do julgamento” – e que afirma acompanhar de perto os passos do ministro revisor do processo do mensalão, Ricardo Lewandowski - “ele só iria apresentar o relatório no semestre que vem”.
- Em suma, ninguém fica bem nessa história, mas Lula fica pior ao deixar que a soberba e o ressentimento o façam porta-voz do pior combate: a desqualificação das instituições. Entre elas o papel de ex-presidente da República.
quinta-feira, 18 de agosto de 2011
Ou o Brasil acaba com Lula, ou o sapo-barbudo acaba com o Brasil
O nome da doença que assola o Brasil é Luiz Inácio Lula da Silva
Quatro ministros caíram em menos de oito meses de governo Dilma. Se considerarmos que Luiz Sérgio deixou a coordenação política para não fazer borra nenhuma na pesca, são cinco, três deles porque não conseguiram explicar o inexplicável no terreno ético: Antônio Palocci (Casa Civil), Alfredo Nascimento (Transportes) e Wagner Rossi (Agricultura). Nelson Jobim (Defesa) foi demitido porque falou demais. As demissões se deram de junho pra cá, à média, portanto, de mais de uma por mês. São os sintomas. Afinal, qual é a doença que acomete a política brasileira? Chama-se Luiz Inácio Lula da Silva, o homem que hoje atua de modo claro, desabrido e insofismável para desestabilizar o governo da presidente Dilma Rousseff, sua criatura eleitoral.
Esse modelo de governo necrosado, que recende a carniça, não chega a ser uma criação genuína de Lula. Ele não cria nada. Mas é o sistema por ele reciclado, submetido ao aggiornamento petista. Este senhor é hoje o maior reacionário da política brasileira. De fato, é o maior de todos os tempos: nunca antes na história destepaiz um líder do seu porte — e os eleitores quiseram assim; não há muito o que fazer a respeito — atuou de forma tão determinada, tão clara, tão explícita para que o Brasil andasse para trás, desse marcha a ré nas conquistas do republicanismo, voltasse ao tempo da aristocracia dos inimputáveis. Enquanto Lula for uma figura relevante da política brasileira, estaremos condenados ao atraso.
O governo herdado por Dilma é aquele que seu antecessor construiu. Aqui, é preciso fazer um pouco de história.
No modelo saído da Constituição de 1988, o presidente precisa do Congresso para governar. Se o tem nas mãos, consegue transformar banditismo em virtude, como prova o mensalão. É impressionante que Lula tenha saído incólume daquela bandalheira — e reeleito! Há diversas razões que explicam o fenômeno, muitas delas já conhecidas. O apoio do Congresso foi vital — além da sem-vergonhice docemente compartilhada por quem votou nele. Não dá para livrar os eleitores de suas responsabilidades.
Fernando Henrique Cardoso governou com boa parte das forças que acabaram migrando para o lulo-petismo — o PMDB inclusive. Surgiram, sim, denúncias de corrupção. Não foi certamente um governo só com vestais. Mas era uma gestão com alguns propósitos, boa parte deles cumprida. Era preciso consolidar as conquistas do Plano Real, promover privatizações essenciais à modernização do país, tirar o bolor da legislação que impedia investimentos, criar bases efetivas para a rede de proteção social. FHC percebeu desde logo que essa agenda não se cumpriria com um alinhamento do PSDB à esquerda. E foi buscar, então, o PFL, o que foi considerado pelos “progressistas” do Complexo Pucusp um crime de lesa moralidade. Em boa parte da imprensa, a reação não foi diferente. Falava-se da “rendição” do intelectual marxixta — o que FHC nunca foi, diga-se — ao patrimonialismo. Um “patrimonialismo” que privatizava estatais… Tenha paciência!
FHC venceu eleição e reeleição no primeiro turno e implementou a sua agenda, debaixo do porrete petista. Teve, sim, de fazer, muitas vezes, o jogo disso que se chama “fisiologia”. O modelo saído da Constituição de 1988, reitero, induz esse sistema de loteamento de cargos. O estado brasileiro, infelizmente, é gigantesco. Quanto mais cargos há a ocupar, pior para a ética, a moral e os bons costumes. Mas, repito, o governo tinha um centro e uma agenda das mais complexas.
Lula surfou no bom momento da economia mundial, manteve os fundamentos herdados do seu antecessor — é faroleiro e assumidamente bravateiro, mas não é burro — e foi muito saudado por jogar no lixo o programa econômico do PT (até eu o saúdo por isso; sempre que algo do petismo vai para o lixo, é um dever moral aplaudir). Procedam a uma pesquisa: tentem encontrar um só avanço estrutural que tenha saído de sua mente divinal; tentem apontar uma só conquista de fundo, que tenha contribuído para modernizar as relações políticas no país; tentem divisar um só elemento que caracterize uma modernização institucional.
Nada!
Ao contrário. Lula fez o Brasil marchar para trás algumas décadas nos usos e costumes da política e atuou de maneira pertinaz para engordar ainda mais o balofo estado brasileiro, o que lhe facultou as condições para elevar a altitudes jamais atingidas o clientelismo, o fisiologismo, a estado-dependência. E aqui é preciso temperar a história com características da personagem,
Déficit de credibilidade
Lula e seu partido chegaram ao poder em 2002 com um déficit imenso de credibilidade. Muita gente pensava que eles próprios acreditavam nas besteiras que diziam sobre economia. Daí a especulação enlouquecida na reta final da eleição e no começo de 2003. O modelo, insisto, requer uma base grande no Congresso. E Lula, por intermédio de José Dirceu, foi às compras. A relação do PT com os outros partidos passou a sere mais ou menos aquela que existe no mercado de juros: se o risco oferecido pelo tomador do empréstimo é alto, a taxa sobe; se é baixo, desce. Os petistas eram considerados elementos um tanto tóxicos. Eles haviam se esforçado durante anos para convencer disso seus adversários. Logo, os candidatos à adesão levaram o preço às alturas.
Lula e seu partido chegaram ao poder em 2002 com um déficit imenso de credibilidade. Muita gente pensava que eles próprios acreditavam nas besteiras que diziam sobre economia. Daí a especulação enlouquecida na reta final da eleição e no começo de 2003. O modelo, insisto, requer uma base grande no Congresso. E Lula, por intermédio de José Dirceu, foi às compras. A relação do PT com os outros partidos passou a sere mais ou menos aquela que existe no mercado de juros: se o risco oferecido pelo tomador do empréstimo é alto, a taxa sobe; se é baixo, desce. Os petistas eram considerados elementos um tanto tóxicos. Eles haviam se esforçado durante anos para convencer disso seus adversários. Logo, os candidatos à adesão levaram o preço às alturas.
Lula aceitou lotear o governo como nenhum outro havia feito antes dele. Os ministérios eram oferecidos de porteira fechada — prática que continuou e se exacerbou no segundo mandato; nesse caso, já não era déficit de credibilidade, não. Lula, o sindicalista, que fazia discurso radical para as massas e enchia a cara de uísque com a turma da Fiesp, viu-se feliz como pinto no lixo quando passou a ser o doador das benesses oficiais. Ele se encontrou. Descobriu seu elemento. Gostava mesmo era daquilo. E não foi só com os políticos, não!
Parte importante do empresariado e do mercado financeiro viu nele o lampejo do gênio. Com ele, sim, era fácil negociar, dizia-se a pregas largas, não com aquele sociólogo metido… Com Lula, tudo podia, tudo era permitido, tudo era precificável. Políticos e empresários se surpreenderam coma a facilidade com que ele fazia concessões. Não! Nada de tentar baixar carga tributária, por exemplo. O modelo consolidado pelo PT é outro: é o dos incentivos a setores escolhidos, o dos empréstimos subsidiados a rodo, o da escolha de “vencedores”. Lula não formava a sua clientela apenas com os miseráveis do Bolsa Família (que ele não criou; só lhe seu viés politiqueiro). Os tubarões também passaram a ser clientes do lulo-petismo. Tinha bolsa pra todo mundo.
O grande gênio
Surfando num momento formidável da economia mundial, Lula pôde, então, se dedicar à sua obra: revitalizar o clientelismo; profissionalizar o aparelhamento do estado; comprar apoios loteando ministérios, estatais e autarquias. Mas para fazer qual governo mesmo? Para deixar qual herança de fundo, destinada às gerações futuras? O homem transformou-se num quase mito agredindo alguns dos fundamentos do republicanismo, que foram duramente construídos ao longo dos oito anos de seu antecessor. Lula avançou contra a herança bendita de FHC para deixar uma herança maldita a seus sucessores e a várias gerações de brasileiros. Nessas horas, os petralhas sempre entram para provocar: “Ah, mas só uma minoria acha isso; o povão apóia”. E daí? “Povões” já endossaram gente até mais nefasta do que Lula história afora.
Surfando num momento formidável da economia mundial, Lula pôde, então, se dedicar à sua obra: revitalizar o clientelismo; profissionalizar o aparelhamento do estado; comprar apoios loteando ministérios, estatais e autarquias. Mas para fazer qual governo mesmo? Para deixar qual herança de fundo, destinada às gerações futuras? O homem transformou-se num quase mito agredindo alguns dos fundamentos do republicanismo, que foram duramente construídos ao longo dos oito anos de seu antecessor. Lula avançou contra a herança bendita de FHC para deixar uma herança maldita a seus sucessores e a várias gerações de brasileiros. Nessas horas, os petralhas sempre entram para provocar: “Ah, mas só uma minoria acha isso; o povão apóia”. E daí? “Povões” já endossaram gente até mais nefasta do que Lula história afora.
Essa gente asquerosa que se demite ou é demitida e faz esses discursos patéticos, em que sugerem que só estão deixando seus cargos porque pautados pela mais estrita decência e por uma competência inquestionável, é expressão do modo lulista de governar. Eu, pessoalmente, ainda não estou convencido de que estamos diante da evidência da incompatibilidade de Dilma com esse padrão moral. Afinal, ela era a “gerente” do governo anterior, certo? Mas estou plenamente convencido de que ela não tem a devida destreza par comandar isso que se transformou NUMA VERDADEIRA MÁQUINA CRIMINOSA de gestão do estado.
A rataiada com a qual Lula governou o país durante oito anos tinha certo receio dele, de sua popularidade — até as oposições evidenciaram esse temor mais de uma vez —, mas não reverencia Dilma. Para se associar, mais uma vez, ao PT, o PMDB, por exemplo, exigiu participar efetivamente do governo, e isso quer dizer liberdade para executar a “sua” política nos ministérios. O mesmo se diga dos demais partidos. A infraestrutura já foi à breca há muito tempo, mas o país que se dane. Os “aliados” têm de cuidar dos seus interesses porque assim combinaram com Lula.
Em 2010, o prêmio exigido para a adesão foi alto não porque o PT padecesse daquele déficit de credibilidade de 2002. A candidata é que se mostrava difícil. A costura da aliança, por isso, elevou o preço de novo. A tal “base” está revoltada porque o modelo de Lula não comporta a ingerência do poder central nos feudos dominados por partidos. Afinal, quem Dilma pensa que é? O acordo não foi feito com ela. Os patriotas se dizem, sem qualquer constrangimento, traídos. “Lula pediu para a gente apoiar essa mulher, e agora ela acha que pode se meter no nosso quintal?” Eles se consideram credores da presidente e acham que o governo os trata como devedores.
Nostalgia
Eles todos estão com saudade de Lula. Querem retomar a tradição. Consideram que roubar dinheiro público é uma paga natural pelo apoio, é parte das regras do jogo. Não deploram em Dilma a sua falta de projeto, de norte, de rumo. Estão inconformados é com o que a “falta de apoio” do governo contra esta maldita imprensa, que insiste em apontar irregularidades. Cadê o Apedeuta para pedir o controle dos meios de comunicação? Cadê o Franklin Martins para articular a “resistência”? Até o secretário de Imprensa do Planalto parece cobrar um “confronto” com a “mídia”. Eles querem Lula. E Lula quer de volta o lugar que acha que lhe pertence.
Eles todos estão com saudade de Lula. Querem retomar a tradição. Consideram que roubar dinheiro público é uma paga natural pelo apoio, é parte das regras do jogo. Não deploram em Dilma a sua falta de projeto, de norte, de rumo. Estão inconformados é com o que a “falta de apoio” do governo contra esta maldita imprensa, que insiste em apontar irregularidades. Cadê o Apedeuta para pedir o controle dos meios de comunicação? Cadê o Franklin Martins para articular a “resistência”? Até o secretário de Imprensa do Planalto parece cobrar um “confronto” com a “mídia”. Eles querem Lula. E Lula quer de volta o lugar que acha que lhe pertence.
Encerro voltando aos tais intelectuais e àquela parte do jornalismo que ajudou a fundar o quase-mito Lula. Quando FHC fez a coligação com o PFL, falaram em crime de lesa democracia. Quando Lula se juntou à escória mais asquerosa da política, saudaram o seu pragmatismo. O pragmatismo que transformou a cleptocracia numa categoria progressista de pensamento.
Lula é o nome da doença. É para ela que precisamos de remédio.
segunda-feira, 16 de março de 2009
A CAMINHO DOS 99,9999995%
Repassando.
O autor não é bom só deMatemática, não! Redige com muita propriedade: claro, simples,preciso!Conseguiu, com elegância e profundidade, dizer tudo - ou quase tudo- que o cidadão lúcido consegue enxergar.
Infelizmente , estamos vivendo momentos que ser esperto é mais dignificante...
Texto atribuido ao Eng. GilbertoGeraldo Garbi/ELE66.Gilberto Geraldo Garbi, foi um dos alunos classificadosa seu tempo como UM DOS MELHORES ALUNOS DE MATEMÁTICA que já haviam adentrado o ITA, entre outras honrarias que recebeu no ITA. Depois de graduado,desenvolveu carreira na TELEPAR, onde chegou a Diretor Técnico e Diretor Presidente,sendo depois Presidente da TELEBRAS.
A CAMINHO DOS99,9999995%
Há poucos dias, a imprensa anunciou amplamente que,segundo as últimas pesquisas de opinião, Lula bateu de novo seus recordesanteriores de popularidade e chegou a 84% de avaliação positiva.É, realmente, algo "nunca antes visto nessepaís" e eu fiquei me perguntando o que poderemos esperar das próximasconsultaspopulares.Lembro-me de que quando Lula chegou aos 70% achei que ele jamaisbateria Hitler, a quem, em seu auge, a cultíssima Alemanha chegara a conceder82% de aprovação. Mas eu estava enganado: nosso operário-presidente já deixoupara trás o psicopata de bigodinho e hoje só deve estar perdendo para FidelCastro e para aquele tiranete caricato da Coreia do Norte, cujo nomejamais meinteressei em guardar.Mas Lula tem uma vantagem sobre os doisditadores: aqui as pesquisas refletem verdadeiramente o que o povo pensa,enquanto em Cuba e na Coreia do Norte as pesquisas de opinião lembram oque sedizia dos plebiscitos portugueses durante a ditadura lusitana: SIM, Salazarfica; NÃO, Salazar não sai; brancos e nulos sendo contados a favor dogoverno...(Quem nunca ouviu falar em Salazar, por favor, pergunte a umparentecom mais de 60).Portanto, a popularidade de Lula ainda "temespaço" para crescer, para empregar essa expressão surrada e pedante, masadorada pelos economistas.E faltam apenas cerca de 16% para que Lulapossa, com suas habituais presunção e imodéstia, anunciar ao mundo queobteve aunanimidade dos brasileiros em torno de seu nome, superando até JesusCristo ououtras celebridades menores que jamais conseguiram livrar-se de algumaoposição... Sim, faltam apenas 16% mas eu tenho uma péssima notícia adar a seu hipertrofiado ego: pode tirar o cavalinho da chuva, cumpanhero,porquede 99,9999995% você não passa.Como você não é muito chegado emAritmética, exceto nos cálculos rudimentares dos percentuais sobre osorçamentosdos ministérios que você entrega aos partidos que constituem sua base desustentação no Congresso, explico melhor: o Brasil tem 200.000.000 dehabitantes, um dos quais sou eu.Represento, portanto, 1 em 200.000.000, ouseja, 0,0000005% enquanto os demais brasileiros totalizam os restantes0,9999995%.Esses, talvez, você possa conquistar, emtodo ou em parte.Mas meus humildes 0,0000005% você jamaisterá porque não há força neste ou em outros mundos, nem todo o dinheirocom quevocê tem comprado votos e apoios nos aterros sanitários da políticabrasileira,não há, repito, força capaz de mudar minha convicção de que você foi o piordentre todos os presidentes que tive a infelicidade de ver comandando oBrasilem meus 65 anos de vida.E minha convicção fundamenta-se em um fatosimples: desde minha adolescência, quando comecei a me dar conta dasdesgraçasbrasileiras e a identificar suas causas, convenci-me de que na raiz detudo estáa mentalidade dominante no Brasil, essa mentalidade dos que valorizam aesperteza e o sucesso a qualquer custo; dos que detestam o trabalho e oestudo;dos que buscam o acesso ao patrimônio público para proveito pessoal; dos quealmejam os cabides de emprego, as sinecuras e os cargos fantasmas; dos quecriaminfindáveis dinastias nepotistas nos órgãos públicos; dos que desprezam ajustiça desde que a injustiça lhes seja vantajosa; dos que só reclamam dosprivilégios por não estar incluídos entre os privilegiados; dos queenriquecematravés dos negócios sujos com o Estado; dos que vendem seus votos por umacamiseta, um sanduíche ou, como agora, uma bolsa família; dos que são de talforma ignorantes e alienados que se deixam iludir pelas prostitutas dapolíticae beijam-lhes as mãos por receber de volta algumas migalhas do muito que lhesvem sendo roubado desde as origens dos tempos; dos que são incapazes dediscernir, comover-se e indignar-se diante de infâmias.Antes edepois de mim, muitos outros brasileiros, incomparavelmente melhores e maislúcidos, chegaram à mesma conclusão e, embora sejamos minoria, sinto-mefeliz e honrado por estar ao lado de Rui Barbosa. Já ouviu falar nele? Comovocê nunca lê, eu quase iria sugerir-lhe que pedisse a algum de seusincontáveisassessores que lhe falasse alguma coisa sobre a Oração aos Moços... Mas,esqueça... Se você souber o que ele, em 1922, disse de políticos como vocêe dos que fazem parte de sua base de sustentação, terá azia até o final davida.Pense a maioria o que quiser, diga amaioria o que disser, não mudarei minha convicção de que este Paíssó deixará de ser o que é - uma terra onde as riquezas produzidas pelo suorda parte honesta e trabalhadora é saqueada pelos parasitas do Estado epelos ladrões privados eternamente impunes - quando a mentalidadeda população e de seus representantes for profundamente mudada.Mudada pela educação, pela perseverança,pela punição aos maus, pela recompensa aos bons, pelo exemplo dos governantes.E você Lula, teve umaoportunidade única de dar início à mudança dessa mentalidade, embalado queestava com uma vitória popular que poderia fazer com que o Congresso securvassediante de sua autoridade moral, se você a tivesse.Você teve a oportunidade de tornar-senossa tão esperada âncora moral, esta sim, nunca antes vista nesse País.Mas não, você preferiu o caminho maisfácil e batido das práticas populistas e coronelistas de sempre, da comprade tudo e de todos.Infelizmente para o Brasil, mas felizmentepara os objetivos pessoais seus e de seu grupo, você estava certo: para quese esforçar, escorado apenas em princípios de decência, se muito mais rápidoe eficiente é comprar o que for necessário, nessa terra onde quase tudoestá à venda?Eu não o considero inteligente, nonobre sentido da palavra, porque uma pessoa verdadeiramenteinteligente, depois de chegar aonde você chegou, partindo de onde vocêpartiu, não chafurdaria nesse lamaçal em que você e sua malta alegrementesurfam, nem se entregaria a seu permanente êxtase de vaidade e autoidolatria.Masreconheço em você uma esperteza excepcional: nunca antes nesse País umpresidente explorou tão bem, em proveito próprio e de seu bando, as pioresqualidades da massa brasileira e de seus representantes.Esse é seu legado maior, e de longaduração: o de haver escancarado a lúgubre realidade de que o Brasilcontinua omesmo que Darwin encontrou quando passou por essas plagas em 1832 e anotou emseu diário: "Aqui todos são subornáveis". Você destruiu as ilusões de quem achava quehavíamos evoluído em nossa mentalidade e matou as esperanças dos que aindaacreditavam poder ver um Brasil decente antes de morrer.Você não inventou a corrupçãobrasileira, mas fez dela um maquiavélico instrumento de poder,tornando-a generalizada e fazendo-a permear até os últimos níveis daAdministração.O Brasil, sob você, vive um quadroque em medicina se chamaria de septicemia corruptiva.Peça ao Marco Aurélio para lhe explicar oque é isso.Você é o sonho de consumo da banda podredesse País, o exemplo que os funcionários corruptos do Brasilsempre esperaram para poder dar, sem temores, plena vazão a seusinstintos. Você faz da mentira e da demagogia seuprincipal veículo de comunicação com a massa. A propósito, o que é que vocêsente, todos os dias, ao olhar-se no espelho e lembrar-se do que diz nospalanques?Você sente orgulho em subestimar ainteligência da maioria e ver que vale a pena?Você mentiu quando disse haver recebidocomo herança maldita a política econômica de seu antecessor, a mesma política que você manteve integralmente e que fez a economia brasileiraprosperar.Você mentiu ao dizer que não sabia doMensalão, mentiu quando disse que seu filho enriqueceu através do trabalho,mentiu sobre os milhões que a Ong 13, de sua filha, recebeu sem prestarcontas, mentiu ao afastar Dirceu, Palocci, Gushiken e outros cumpanherospegos em flagrante, mente quando, para cada platéia, fala coisas diferentes,escolhidas sob medida para agradá-las, mentiu, mente e mentirá em qualquersituação que lhe convenha.Por falar em Ongs, você comprou aesquerda festiva, aquela que odeia o trabalho e vive do trabalho de outros,dando-lhe bilhões de reais através de Ongs que nada fazem, a não serrefestelar-se em dinheiro público, viajar, acampar, discursar contra osexploradores do povo e desperdiçar os recursos que tanta falta fazemaos hospitais.Você não moveu uma palha, em seis anosde presidência, para modificar as leis odiosas que protegem criminosos detodos os tipos neste País sedento de Justiça e encharcado pelas lágrimas dosfamiliares de tantas vítimas.Jamais sua base no Congresso preocupou-seem fechar ao menos as mais gritantes brechas legais pelas quais oscriminosos endinheirados conseguem sempre permanecer impunes, rindo-se detodosnós.Ao contrário, o Supremo, onde você temgrande influência, por haver indicado um bom número de Ministros, acaba dejulgar que mesmo os condenados em segunda instância podem permanecer emliberdade, até que todas as apelações, recursos e embargos sejam julgados, oque, no Brasil, leva décadas.Isso significa, em poucas palavras, que oscriminosos com dinheiro suficiente para pagar os famosos e caroscriminalistas brasileiros podem dormir sossegados, porque jamais irão paraa cadeia. Estivesse o Supremo julgando algo que interessasse a seu grupo ou asuas inclinações ideológicas, certamente você teria se empenhado de corpo ealma.Aliás, Lula, você nunca teve ideais,apenas ambições.Você jamais foi inspirado por qualqueranseio de Justiça.Todas as suas ações, ao longo da vida,foram motivadas por rancores, invejas, sede pessoal de poder e irrefreávelnecessidade de ser adorado e ter seu ego adulado. Seu desprezo por aquiloque aspessoas honradas consideram Justiça manifesta-se o tempo todo: quando vocêceleremente despachou para Cuba alguns pobres desertores que aqui buscavama liberdade; quando você deu asilo a assassinos terroristas da esquerdaradical; quando você se aliou à escória do Congresso, aquela mesma contraquem você vociferava no passado; quando concedeu aumentos nababescos acategorias de funcionários públicos já regiamente pagos, às custas dosimpostos arrancados do couro de quem trabalha arduamente e ganha pouco;quando você aumentou abusivamente as despesas de custeio, sabendo quepouquíssimo da arrecadação sobraria para os investimentos de que tanto carecea população; quando você despreza o mérito e privilegia o compadrio e opopulismo; e vai por aí... Justiça, ora a Justiça, é o que vocêpensa...Você tem dividido a nação, jogandoregiões contra regiões, classes contra classes e raças contra raças,para tirar proveito das desavenças que fomenta. Aliás, se você estivesserealmente interessado, como deveria, em dar aos pobres, negros e outrosexcluídos as mesmas oportunidades que têm os filhos dos ricos, teria seempenhado afundo na melhoria da saúde e do ensino públicos.Mas você, no íntimo, despreza o ensino, aeducação e a cultura, porque conseguiu tudo o que queria, mesmo sendoinculto e vulgar.Além disso, melhorar a educação toma um tempo enorme e dá muito trabalho, não é mesmo?E se há coisa que você e o Partido dosTrabalhadores definitivamente detestam é o trabalho: então, muito maisfácil é oatalho das cotas, mesmo que elas criem hostilidades entres as cores, queseus critérios sejam burlados o tempo todo e que filhos de negrosmilionários possam valer-se delas.A Imprensa faz-lhe pouca oposiçãoporque você a calou, manipulando as verbas publicitárias,pressionando-a economicamente e perseguindo jornalistas. O que houve entreo BNDES e as redes de televisão? O que você mandou fazer a Arnaldo Jabor, aBoris Casoy, a Salete Lemos?Essa técnica de comprar ou perseguir émuito eficaz.Pablo Escobar usou-a com muito sucesso na Colômbia, quando davaa seus eventuais opositores as opções: "O plata, o plomo". Peça ao MarcoAurélio para traduzir. Ele fala bem o Espanhol.Você pode desdenhartudo aquilo que aqui foi dito, como desdenha a todos que não o bajulem.Afinal,se você não é o maior estadista do planeta, se seu governo não émaravilhoso, como explicar tamanha popularidade?É fácil: políticos, sindicatos,imprensa, ONGs, movimentos sociais, funcionários públicos, miseráveis,você comprou com dinheiro, bolsas, cotas, cargos e medidas demagógicas.Muita gente que trabalha, mas desconhece o que se passa nas entranhas deseu governo, satisfez-se com o pouco mais de dinheiro que passou a ganhar,em consequência do modesto crescimento econômico que foi plantadoanteriormente, mas que caiu em seu colo.Tudo, então, pode se resumir ao dinheiro egrande parte da população parece estar disposta a ignorar os princípios da honradez e da honestidade e a relevar as mentiras, a corrupção, osdesperdícios,os abusos e as injustiças que marcam seu governo em troca do prato delentilhas da melhoria econômica.É esse, em síntese, o triste retrato doBrasil de hoje... E, como se diz na França, "l´argent n´est tout que dansles siècles où les hommes ne sont rien".Você não entendeu, não é mesmo?Então pergunte à Marta. Elaadora Paris e há um bom tempo estamos sustentando seu gigolôfranco-argentino...Gilberto Geraldo Garbi
Assinar:
Postagens (Atom)


