Seria mais producente que os parlamentares
brasileiros tivessem encerrado a sessão de ontem para votar a manobra
fiscal de Dilma ajoelhados no gramado externo do Palácio do Planalto,
todos com a bunda para cima e prontos para receber chicotadas ou dedadas
da gerentona petista.
Já era quinta-feira quando a turba comandada por Renan Calheiros
aprovou a maquiagem econômica, o famigerado Projeto de Lei do Cognresso
(PLC 36), que permite ao governo maquiar o descumprimento da meta do
superávit primário e altera descaradamente a Lei de Diretrizes
Orçamentárias.
A partir de agora, a nau catarineta da senhora Dilma vai navegar ao
léu sem preocupação com carta náutica ou fiscalização de rumo. O mar de
2015 não estará para peixe pequeno, quem tiver suas economias em bancos
públicos que trate de sacar ou transferir para os privados.
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quinta-feira, 4 de dezembro de 2014
segunda-feira, 18 de novembro de 2013
Justiça no país de Zé Ninguém
Já havia algo de diferente apontando um novo azimute
para a história do processo legal e das ações criminais no Brasil
quando o ministro Luis Roberto Barroso fez a leitura do seu voto, na
sessão do Supremo da quarta-feira, que definiu o início das prisões.
A peça do “novato”, como o batizara Marco Aurélio de Mello, lembrou-me Gilberto Gil em 1976, preso por porte de maconha, respondendo à imprensa sobre se já tivera problema semelhante. “Eu não tenho problema com a maconha, só com a Polícia”.
A partir da geração dele, de Gil, ser preso por fumar um baseado substituiu em ilustração policial a figura do ladrão de galinha. No país dos grandes assaltos ao erário, eram os autores de pequenos deslizes que lotavam cadeias e aceleravam sentenças.
O voto de Barroso acabou sendo um divisor de fumaça ilegal e de cacarejo jurídico, mostrando que os assaltantes de galinheiro e os adeptos de um tapa no finório são, sim, infinitamente menos criminosos do que aqueles que metem a mão no bem público.
“Temos milhares de condenados por pequenas quantidades de maconha, e pouquíssimos condenados por golpes imensos na praça. Para ir preso no Brasil, é preciso ser muito pobre e muito mal defendido”, escreveu o magistrado na sua peça.
As imagens dos bandidos do PT chegando na Polícia Federal, por mais que seja para cumprirem pena com temporalidade abaixo daquela desejada pela sociedade, são o retrato de uma mudança na prática que Barroso chama de “sistema seletivo e de castas”.
E decretar as prisões na data nacional do Dia da República, como que desmanchando a pantomima esquerdopata do dia anterior na ridícula e mórbida posse póstuma do pó que sobrou de Jango, foi um tiro a la Ringo nos autores da farsa, os amigos dos bandoleiros.
Aliás, depois do teatro funerário (ainda bem que FHC esteve ausente, não pega bem a um estadista) os brasileiros já não podem fazer piada da crença portuguesa no retorno do rei Sebastião, sumido no século 16, poucos anos após a descoberta do Brasil.
E se a oposição ao governo do PT tivesse coragem de ser oposição também no sentido ideológico, cabia muito bem uma picardia anárquica de encenar uma deposição dos restos de Jango pela urna mortuária dos restos do marechal Humberto Castelo Branco.
Mas, voltando ao dia histórico de ontem, faz-se urgente e providencial festejar o encarceramento daqueles que executaram o mais vil e ousado golpe contra a República e o povo brasileiro. Os futuros inquilinos da Papuda, arautos do chefe papudinho.
Que a condenação em fatias seja coroada com o resto da sentença pelo conjunto dos crimes, e que a decisão do STF, como diz o hino republicano, seja um pálio de luz desdobrado que venha remir a nação dos mais torpes labéus praticados por essa gente.
O capataz Zé Dirceu está voltando para onde nunca deveria ter saído no período de terrorismo juvenil. E o dissimulado Zé Genoíno vai experimentar uma hospedagem que evitou no passado por premiação suja. O Brasil já não prende apenas um Zé qualquer.
Enquanto os corruptos adentraram as celas, os militantes doidivanas saíram às ruas em vigílias noturnas de gatos pingados miando palavras de ordem do tempo do ronca, contra a ditadura, contra a Globo, contra a Folha de S. Paulo, contra a burguesia.
Nas carrancas exibidas pelas câmeras de TV, figuras hostis e de semblantes apopléticos, latiam chavões ultrapassados oriundos das passeatas dos anos 1960. Uma gente vagabunda que os semelhantes na internet tratam como “população solidária ao PT”.
Que dia lindo foi o 15 de novembro de 2013, um dia para as atuais gerações guardarem na lembrança como aquele em que a Justiça decretou e a Polícia cumpriu a prisão de políticos corruptos. Creio que o pó de Castelo soprou no limbo a poeira de Goulart.
Alex Medeiros
A peça do “novato”, como o batizara Marco Aurélio de Mello, lembrou-me Gilberto Gil em 1976, preso por porte de maconha, respondendo à imprensa sobre se já tivera problema semelhante. “Eu não tenho problema com a maconha, só com a Polícia”.
A partir da geração dele, de Gil, ser preso por fumar um baseado substituiu em ilustração policial a figura do ladrão de galinha. No país dos grandes assaltos ao erário, eram os autores de pequenos deslizes que lotavam cadeias e aceleravam sentenças.
O voto de Barroso acabou sendo um divisor de fumaça ilegal e de cacarejo jurídico, mostrando que os assaltantes de galinheiro e os adeptos de um tapa no finório são, sim, infinitamente menos criminosos do que aqueles que metem a mão no bem público.
“Temos milhares de condenados por pequenas quantidades de maconha, e pouquíssimos condenados por golpes imensos na praça. Para ir preso no Brasil, é preciso ser muito pobre e muito mal defendido”, escreveu o magistrado na sua peça.
As imagens dos bandidos do PT chegando na Polícia Federal, por mais que seja para cumprirem pena com temporalidade abaixo daquela desejada pela sociedade, são o retrato de uma mudança na prática que Barroso chama de “sistema seletivo e de castas”.
E decretar as prisões na data nacional do Dia da República, como que desmanchando a pantomima esquerdopata do dia anterior na ridícula e mórbida posse póstuma do pó que sobrou de Jango, foi um tiro a la Ringo nos autores da farsa, os amigos dos bandoleiros.
Aliás, depois do teatro funerário (ainda bem que FHC esteve ausente, não pega bem a um estadista) os brasileiros já não podem fazer piada da crença portuguesa no retorno do rei Sebastião, sumido no século 16, poucos anos após a descoberta do Brasil.
E se a oposição ao governo do PT tivesse coragem de ser oposição também no sentido ideológico, cabia muito bem uma picardia anárquica de encenar uma deposição dos restos de Jango pela urna mortuária dos restos do marechal Humberto Castelo Branco.
Mas, voltando ao dia histórico de ontem, faz-se urgente e providencial festejar o encarceramento daqueles que executaram o mais vil e ousado golpe contra a República e o povo brasileiro. Os futuros inquilinos da Papuda, arautos do chefe papudinho.
Que a condenação em fatias seja coroada com o resto da sentença pelo conjunto dos crimes, e que a decisão do STF, como diz o hino republicano, seja um pálio de luz desdobrado que venha remir a nação dos mais torpes labéus praticados por essa gente.
O capataz Zé Dirceu está voltando para onde nunca deveria ter saído no período de terrorismo juvenil. E o dissimulado Zé Genoíno vai experimentar uma hospedagem que evitou no passado por premiação suja. O Brasil já não prende apenas um Zé qualquer.
Enquanto os corruptos adentraram as celas, os militantes doidivanas saíram às ruas em vigílias noturnas de gatos pingados miando palavras de ordem do tempo do ronca, contra a ditadura, contra a Globo, contra a Folha de S. Paulo, contra a burguesia.
Nas carrancas exibidas pelas câmeras de TV, figuras hostis e de semblantes apopléticos, latiam chavões ultrapassados oriundos das passeatas dos anos 1960. Uma gente vagabunda que os semelhantes na internet tratam como “população solidária ao PT”.
Que dia lindo foi o 15 de novembro de 2013, um dia para as atuais gerações guardarem na lembrança como aquele em que a Justiça decretou e a Polícia cumpriu a prisão de políticos corruptos. Creio que o pó de Castelo soprou no limbo a poeira de Goulart.
Alex Medeiros
sexta-feira, 16 de novembro de 2012
A Politica do PT é toma lá, dá cá
Esse texto não é meu, é de um conhecido no Facebook. Mas vale muito para explicar o modus operandi do PT e seu aparelhamento do Estado.
Vê se pode. Uma empresa com nome de fantasia de AEIOU. Pensa que é de alfabetização? Não! É operadora de telefonia celular, sem tradição, competência técnica e outros requisitos necessário, mesmo assim obteve licença da ANATEL (no governo do PT) para operar logo em SP. Deu um calote de R$ 150,00 milhões, não teve a licença caçada e agora o antigo presidente da ANATEL (do governo do PT) passou a ser seu consultor e o calote de R$ 150,00 milhões vai se transformar em um lucro de R$ 500,00 milhões.
Tem cheiro de armação no ar gente. Fica alerta Ministério Público! É uma indignação para os brasileiros que pagam impostos com o suor de seu trabalho. Sabe quem está nas sombras dessa nova armação? A Erenice Guerra! Eita! Brasil rico danado para suportar tanto desmando.
quinta-feira, 11 de outubro de 2012
Manchetes do mensalão
No amanhecer passo a vista nas manchetes que a internet ajuda ler num
pacote só. A condenação de José Dirceu está em todas as manchetes. A
dele, a de Genoíno e de Delúbio, os três da fina flor do PT. O
julgamento do Supremo ocupa as capas dos principais jornais do país e
repercute também na mídia internacional. A manchete de O Globo foi a
mais extensa e a mais incisiva: “A hora da verdade – STF condena Dirceu
por comandar o mensalão”. A da Folha de S. Paulo, a mais enxuta, numa só
palavra: “Culpados”. Se Nelson Rodrigues fosse vivo teria cobrado uma
exclamação: “Culpados!”
O jornal “Estado de Minas”, de Belo Horizonte, e a “Zero Hora”, de Porto Alegre, usaram o mesmo adjetivo. O mineiro, no plural: Condenados; o jornal gaúcho, no singular: Condenado. O Estado de S. Paulo foi direto ao principal: “Supremo condena Dirceu”, mais ou menos na mesma linha do Jornal do Commércio, de Recife: “Zé Dirceu é condenado”. O “Valor Econômico” completou: “José Dirceu é condenado por corrupção”. A manchete da Tribuna do Norte, didática: “STF confirma condenação de Dirceu, Genoíno e Delúbio”.
De todas, a que mais gostei foi a do Correio Braziliense: “Como fica o PT após a condenação de Dirceu”. Tem um pedacinho de suspense que interessa a plateia inteira, até porque a história não termina com o julgamento do STF e o PT continua com muita força na política do país. Como ficará o PT? O Correio diz na abertura da matéria que José Dirceu, mesmo condenado, mesmo na prisão, continuará com muita influência no partido que ajudou a construir. Vejamos o texto do jornal de Brasília:
“Mesmo condenado pelo STF por corrupção, o poder de Dirceu é tão grande dentro do PT que ele deve continuar influenciando os rumos do partido, inclusive em 2014, ainda que tenha de cumprir pena na prisão. Muitos petistas graduados atribuem a ele a eleição de Lula. Mas há quem preveja também uma perda de espaço pelo ex-ministro e aliados dentro do próprio PT e no governo Dilma.”
“O cara vai para a cadeia. Como é que vai ter força?”, pergunta uma liderança petista. Na sessão de ontem, a mais emblemática do julgamento do mensalão, Genoíno e Delúbio também foram considerados culpados pelo Supremo. Em nota, Dirceu diz acatar a decisão, mas afirma que não se calará: “Continuarei a lutar até provar minha inocência”.
O jornal “Estado de Minas”, de Belo Horizonte, e a “Zero Hora”, de Porto Alegre, usaram o mesmo adjetivo. O mineiro, no plural: Condenados; o jornal gaúcho, no singular: Condenado. O Estado de S. Paulo foi direto ao principal: “Supremo condena Dirceu”, mais ou menos na mesma linha do Jornal do Commércio, de Recife: “Zé Dirceu é condenado”. O “Valor Econômico” completou: “José Dirceu é condenado por corrupção”. A manchete da Tribuna do Norte, didática: “STF confirma condenação de Dirceu, Genoíno e Delúbio”.
De todas, a que mais gostei foi a do Correio Braziliense: “Como fica o PT após a condenação de Dirceu”. Tem um pedacinho de suspense que interessa a plateia inteira, até porque a história não termina com o julgamento do STF e o PT continua com muita força na política do país. Como ficará o PT? O Correio diz na abertura da matéria que José Dirceu, mesmo condenado, mesmo na prisão, continuará com muita influência no partido que ajudou a construir. Vejamos o texto do jornal de Brasília:
“Mesmo condenado pelo STF por corrupção, o poder de Dirceu é tão grande dentro do PT que ele deve continuar influenciando os rumos do partido, inclusive em 2014, ainda que tenha de cumprir pena na prisão. Muitos petistas graduados atribuem a ele a eleição de Lula. Mas há quem preveja também uma perda de espaço pelo ex-ministro e aliados dentro do próprio PT e no governo Dilma.”
“O cara vai para a cadeia. Como é que vai ter força?”, pergunta uma liderança petista. Na sessão de ontem, a mais emblemática do julgamento do mensalão, Genoíno e Delúbio também foram considerados culpados pelo Supremo. Em nota, Dirceu diz acatar a decisão, mas afirma que não se calará: “Continuarei a lutar até provar minha inocência”.
quinta-feira, 12 de abril de 2012
É muita lama
Jamais se viu e nunca se verá um país com tamanha e epidêmica lama sujando os valores e preceitos civilizatórios como estamos vendo agora. Os casos de corrupção e deslizes morais crescem como um vírus atacando todo o tecido social da nação.
Ontem, enquanto acompanhava o desenrolar dos escândalos locais e nacionais, lembrei de um filminho de aventura, muito repetido nas sessões vesperais da TV fechada. Quem já viu “Zathura, uma Aventura Espacial”, dirigido pelo nova-iorquino Jon Favreau?
Na verdade, é a continuação de “Jumanji”, estrelado por Robin Williams. Nos dois casos, tratam-se de dois estranhos jogos com poderes mágicos e que provocam situações inusitadas cada vez que os dados são arremessados. Cada rodada, uma incrível surpresa.
Quanto mais complicada uma situação, pior fica a vida dos jogadores com a jogada seguinte. Todas as tentativas de reparar um perigo ou uma confusão acarretam mais desespero para os envolvidos. De bom em Zathura, só a debutante Kristen Stewart.
Os acontecimentos criminosos que ocorrem diuturnamente no ambiente dos quatro poderes (Judiciário, Legislativo, Executivo e Aquisitivo) parecem com os jogos das duas ficções cinematográficas. Todo dia se descobre que alguém fez merda de novo.
No plano nacional, os militantes de esquerda tiveram um orgasmo marxista-leninista quando a máscara de bom moço de Demóstenes derreteu na queda do Cachoeira. Só não esperavam que o esquema do bicheiro já havia bichado também o PT e adjacências.
Bradaram, os cuecões e os petralhas, por uma CPI para investigar a rede de influência do bandido e do promotor. O problema agora, com as revelações sobre a participação de um governador petista e um deputado do PCdoB, é de um coitus interruptus stalinista.
No âmbito da província ensolarada, os dados do casal Carla Ubarana e George Leal não combinam com as cartas de jogo de alguns desembargadores, que a cada nova diligência do Ministério Público vão ficando mais enroscados no tabuleiro dos precatórios.
Aliás, pelo que se viu nos autos e nos depoimentos, transformaram o Tribunal de Justiça num tabuleiro de vendedores do alheio. Em sendo verdade os testemunhos dos acusados, senhores de toga tungaram a viúva num esquema de negócio mafioso.
Como no desenrolar do filmezinho da TV, parece uma trilha sem fim a trama de desvios orquestrada no TJ. Era tanto dinheiro, e tão fácil botar a mão nele, que os autores do crime nem tinham noção de gasto em suas viagens milionárias por países europeus.
Outra espécie de Zathura da roubalheira ou Jumanji das fraudes é o escândalo da inspeção veicular, conhecido por Sinal Fechado, dado pelo MP e pela polícia. Até agora, o principal jogador tem evitado revelar seus melhores parceiros de jogada.
Espera-se que as cartas do Ministério Público, inicialmente compostas numa petição que muitos fazem de conta que já se exauriu, traga novas explicações para que a sociedade também participe do jogo de reparos. George Olímpio não é vilão solitário.
Na jogatina dissimulada que se instalou nos salões do poder público, há crimes sendo planejados em estado permanente, frutos da certeza de impunidade que unifica os punguistas de pé-rapado e os ladrões de colarinho branco. Este é o Brasil de todos.
Entre precatórios e mensalões, a alma nacional desce ao inferno da amoralidade constatando que o chavão religioso de que “todos são filhos de deus” foi refeito para “todos são filiados ao pecado”, mas não o pecado da Bíblia e sim o do Código Penal.
Será que estão ceretos os esotéricos, a imaginar o fim dos dias com os sinais de depravação moral da espécie humanus brasilis? A podridão infecta o país e o que resta de gente reta rejeita o serviço público, que como no inferno de Dante deveria ter o aviso: “Deixai toda esperança, ó vós que entrais”.
Alex Medeiros
Ontem, enquanto acompanhava o desenrolar dos escândalos locais e nacionais, lembrei de um filminho de aventura, muito repetido nas sessões vesperais da TV fechada. Quem já viu “Zathura, uma Aventura Espacial”, dirigido pelo nova-iorquino Jon Favreau?
Na verdade, é a continuação de “Jumanji”, estrelado por Robin Williams. Nos dois casos, tratam-se de dois estranhos jogos com poderes mágicos e que provocam situações inusitadas cada vez que os dados são arremessados. Cada rodada, uma incrível surpresa.
Quanto mais complicada uma situação, pior fica a vida dos jogadores com a jogada seguinte. Todas as tentativas de reparar um perigo ou uma confusão acarretam mais desespero para os envolvidos. De bom em Zathura, só a debutante Kristen Stewart.
Os acontecimentos criminosos que ocorrem diuturnamente no ambiente dos quatro poderes (Judiciário, Legislativo, Executivo e Aquisitivo) parecem com os jogos das duas ficções cinematográficas. Todo dia se descobre que alguém fez merda de novo.
No plano nacional, os militantes de esquerda tiveram um orgasmo marxista-leninista quando a máscara de bom moço de Demóstenes derreteu na queda do Cachoeira. Só não esperavam que o esquema do bicheiro já havia bichado também o PT e adjacências.
Bradaram, os cuecões e os petralhas, por uma CPI para investigar a rede de influência do bandido e do promotor. O problema agora, com as revelações sobre a participação de um governador petista e um deputado do PCdoB, é de um coitus interruptus stalinista.
No âmbito da província ensolarada, os dados do casal Carla Ubarana e George Leal não combinam com as cartas de jogo de alguns desembargadores, que a cada nova diligência do Ministério Público vão ficando mais enroscados no tabuleiro dos precatórios.
Aliás, pelo que se viu nos autos e nos depoimentos, transformaram o Tribunal de Justiça num tabuleiro de vendedores do alheio. Em sendo verdade os testemunhos dos acusados, senhores de toga tungaram a viúva num esquema de negócio mafioso.
Como no desenrolar do filmezinho da TV, parece uma trilha sem fim a trama de desvios orquestrada no TJ. Era tanto dinheiro, e tão fácil botar a mão nele, que os autores do crime nem tinham noção de gasto em suas viagens milionárias por países europeus.
Outra espécie de Zathura da roubalheira ou Jumanji das fraudes é o escândalo da inspeção veicular, conhecido por Sinal Fechado, dado pelo MP e pela polícia. Até agora, o principal jogador tem evitado revelar seus melhores parceiros de jogada.
Espera-se que as cartas do Ministério Público, inicialmente compostas numa petição que muitos fazem de conta que já se exauriu, traga novas explicações para que a sociedade também participe do jogo de reparos. George Olímpio não é vilão solitário.
Na jogatina dissimulada que se instalou nos salões do poder público, há crimes sendo planejados em estado permanente, frutos da certeza de impunidade que unifica os punguistas de pé-rapado e os ladrões de colarinho branco. Este é o Brasil de todos.
Entre precatórios e mensalões, a alma nacional desce ao inferno da amoralidade constatando que o chavão religioso de que “todos são filhos de deus” foi refeito para “todos são filiados ao pecado”, mas não o pecado da Bíblia e sim o do Código Penal.
Será que estão ceretos os esotéricos, a imaginar o fim dos dias com os sinais de depravação moral da espécie humanus brasilis? A podridão infecta o país e o que resta de gente reta rejeita o serviço público, que como no inferno de Dante deveria ter o aviso: “Deixai toda esperança, ó vós que entrais”.
Alex Medeiros
quarta-feira, 1 de junho de 2011
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